sexta-feira, 20 de abril de 2018

Resenha: As Estações do Medo

Exemplar recebido em parceria com
a Editora Xeque-Matte
Autores: Pablo Madeira, Renan Merlin, Helena Dias e Lucas França
Editora: Xeque-Matte
Páginas: 204
Ano: 2017

SINOPSE: Fontesville é uma pequena cidade escondida no mapa, mas ao contrário de ser uma localidade pacata, ela possui muitos segredos sombrios que podem afetar a vida de quem se atreve a fazer uma parada em seus domínios. Não importa a estação do ano, o medo impera todos os dias, e os estranhos habitantes sempre tem alguma coisa a esconder. Sangue, possessão, ocultismo, espíritos e muitos mistérios aguardam os visitantes. Tente não se demorar na cidade, ou você pode ser o próximo a vivenciar o horror e sentir na pele os piores segredos que uma pequena cidade pode esconder. SKOOB 

     A Editora Xeque-Matte sempre nos presenteando com novidades!

     As Estações do Medo é uma antologia composta por quatro contos que se interligam, cada um deles escrito por um autor. A combinação não podia ter dado mais certo, e fomos nós, leitores, quem ganhamos. Neste livro conhecemos Fontesville, uma cidadezinha perdida no mapa e com moradores pouco hospitaleiros, principalmente com forasteiros curiosos que tentam descobrir os mistérios do local.
     Durante a leitura, somos levados a uma viagem pelas estações do ano, cada uma com seus mistérios sendo revelados e nos encaminhado para algo bem maior. Na medida em que vamos tomando conhecimento dos fatos, mergulhamos mais ainda em um mundo onde o mal é real e está à espreita da primeira oportunidade de se tornar mais forte.

“O velho pegou o garfo e a faca, cortou um pedaço e começou a comer vorazmente.
Mastigava saboreando aquilo que, para ele, era uma iguaria. Um filete de sangue escorreu pelo lábio inferior indo ao encontro do queixo. Ele pegou o guardanapo e limpou a sujeira, mas ainda assim uma suave mancha avermelhada permaneceu em sua pele” (Primavera – Pablo Madeira)

“O mal deve ser cortado pela raiz, caso contrário, um broto satânico pode nascer mesmo que a terra não seja fértil.” (Verão – Renan Merlin)

     O mal é algo intrínseco ou não ao ser humano? Ele é apenas sobrenatural? Foram as perguntas que me fiz durante a leitura. Esta, um tanto perturbadora, mas ao mesmo tempo viciante. Uma família que se alimenta de carne humana; um ritual, que anteriormente fora interrompido, continua vivo para que seja finalizado com as pessoas certas; um orfanato cujo local esconde mais um segredo, uma criança vinda de fora da cidade. Uma força oculta ronda Fontesville e ganha mais força com o passar das páginas.
     Os personagens criados instigam nosso imaginário, visto que, muitas vezes não sabemos até que ponto são realmente bons, ou maus, dependendo do ponto de vista. A descrição das cenas é um caso à parte, que tornou tudo ainda mais visceral, real, até mesmo perturbador. O final do livro me surpreendeu, realmente esperava algo bem diferente. Mas não se preocupem, foi uma boa surpresa! O mal sempre vence?

“O ritual estava iniciado, e eu podia sentir os fios espessos de sangue descendo pelos meus ouvidos a cada repetição do cântico.” (Outono – Helena Dias)

“Eles não faziam ideia de que o resquício daquele episódio doentio e sangrento tinha ficado para trás, muito menos nas mãos de uma criança de dez anos de idade, afinal de contas, Kevin segurava um dos objetos com o sangue do homem que um dia fora esquartejado naquele mesmo quarto” (Inverno – Lucas França)

     O prefácio do livro foi escrito por Ananda Veloso, autora da Trilogia Círculo dos Imortais e, já nele, o leitor poderá ter uma ideia do que o aguarda.
     Mesmo sendo contos de autores diferentes, cada um com sua forma pessoal de escrita, a conexão entre eles foi impecável, dando ritmo, continuidade e um nível de suspense à história que prende qualquer leitor fã de suspense e terror.

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